Abril Azul: o papel das universidades de Medicina na formação de profissionais mais preparados para o autismo
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Gabrielle Boeze 1 de abril de 2026

O mês de abril é marcado pela campanha de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um tema relevante para diversos setores da sociedade, especialmente nas áreas de saúde e educação.

A pauta traz reflexões urgentes para a formação médica no Brasil. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que impacta a comunicação, a interação social e o comportamento, exigindo acompanhamento multiprofissional e diagnóstico qualificado.

Nesse contexto, a formação de médicos preparados para identificar sinais precoces, acolher pacientes e atuar de forma interdisciplinar torna-se essencial. Essa preparação, no entanto, não começa apenas na prática clínica, mas ainda durante a formação universitária.

De acordo com o Censo Escolar, as matrículas de estudantes com TEA na educação básica aumentaram 44,4% entre 2023 e 2024. Esse avanço também impacta o ensino superior, que precisa se preparar para garantir condições adequadas de aprendizagem, acessibilidade, formação docente e combate ao capacitismo.

O crescimento de coletivos autistas nas instituições de ensino é um reflexo dessa transformação, com estudantes cada vez mais protagonistas na construção de ambientes acadêmicos mais inclusivos. Na PUC-Campinas, por exemplo, segundo matéria da própria universidade, estudantes já contam com o apoio de cão de assistência, um recurso importante para o desempenho acadêmico.

O impacto direto nos cursos de Medicina
A formação médica precisa ir além do conteúdo técnico, incorporando práticas que desenvolvam olhar clínico, sensibilidade e preparo para atuar em contextos diversos. Isso envolve currículos atualizados, integração entre teoria e prática e o desenvolvimento de competências socioemocionais.

Ao mesmo tempo, as instituições de ensino superior enfrentam desafios estruturais relevantes, como a adequação às diretrizes do MEC, a consolidação de projetos pedagógicos consistentes e a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, especialmente em cursos de alta complexidade como Medicina.

Nesse cenário, o investimento em planejamento acadêmico, atualização pedagógica e apoio especializado contribui para a formação de profissionais mais preparados e para o fortalecimento do papel social das instituições.

 

Por Maurício Pascoal

Fonte: MEC e Puc Campinas

Foto: Consed