Entenda como a falta crônica de cadáveres está dificultando a formação médica no Brasil
Educação SuperiorNotícias
junho 9, 2023

O panorama da falta de cadáveres

Um levantamento realizado pela BBC News Brasil buscou informações nas 30 universidades mais bem avaliadas no ranking Universitário da Folha (RUF) 2019. Das 26 que responderam sobre o uso de cadáveres nas aulas e se o número de exemplares disponíveis é suficiente, mais da metade, 17, afirmaram enfrentar uma falta de corpos para estudo e pesquisa. Apenas duas disseram que a quantidade de cadáveres disponíveis é satisfatória.

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A importância do ensino prático de anatomia

O ensino de anatomia na prática, através da dissecação de cadáveres e identificação de estruturas e órgãos, é uma experiência considerada insubstituível por professores e médicos experientes. No entanto, a maioria das instituições consultadas relata que faltam corpos suficientes para dissecação há anos, e que o problema é difícil de solucionar, devido à falta de recursos para preservar os cadáveres e, principalmente, doações pela sociedade civil.

Opções de estudo fora do país

Alguns alunos optam por cursos fora do país, buscando melhores condições de aprendizado em anatomia. Estados Unidos e Canadá são alguns dos destinos mais procurados. Entretanto, nem todos têm a possibilidade de estudar no exterior.

Por que faltam cadáveres?

Cadáveres não reclamados por famílias de uma pessoa morta em até 30 dias depois do óbito eram, no passado, a forma mais comum de doação para uso de corpos no ensino e pesquisa. Hoje, já não é mais tão comum ter corpos não reclamados, devido às novas tecnologias que ajudam na identificação dos corpos por familiares.

Além disso, os trâmites burocráticos para liberação de corpos não reclamados para as instituições de ensino são demorados e, por questões éticas, essa prática tem sido cada vez menos utilizada.

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A alternativa das doações voluntárias

Uma alternativa para atender à necessidade de cadáveres seria a doação voluntária de corpos para a ciência. No Brasil, existem hoje 39 programas de doação voluntária, segundo a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Porém, o número de doações ainda é baixo, em parte porque essa possibilidade não é tão conhecida na sociedade.

Dificuldades na realização de doações

As universidades enfrentam desafios para manter programas de doação voluntária de corpos, como a falta de recursos para preservar os cadáveres e a logística complexa envolvida no processo.

A importância da conscientização da população

A conscientização da população sobre a importância da utilização de material humano para o ensino dos futuros profissionais da área da saúde é fundamental para aumentar o número de doações. Iniciativas de divulgação e campanhas de informação podem contribuir para que mais pessoas conheçam a possibilidade de doar seu corpo para a ciência.

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O prejuízo causado pela falta de cadáveres

Estudar anatomia por meio de um corpo humano real proporciona uma oportunidade de aprendizado mais fidedigna ao que o aluno vai encontrar na profissão. A falta de cadáveres para dissecação pode levar a uma formação médica menos completa e habilidades menos desenvolvidas.

Habilidades motoras e empatia

A dissecação de um cadáver permite que o estudante de medicina ganhe destreza e habilidades motoras necessárias para a prática médica. Além disso, trabalhar com um cadáver é uma oportunidade de passar valores como ética, empatia e respeito ao corpo do outro aos alunos.

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Variações anatômicas e trabalho em grupo

Sem a prática da dissecação, o aluno perde habilidades de reconhecimento de variações anatômicas, que são fundamentais para a prática médica. Além disso, o trabalho em grupo durante a dissecação possibilita um senso de parceria necessário na prática médica.

Alternativas para a falta de cadáveres

Diante da falta de cadáveres para dissecação, as universidades recorrem a exemplares de partes do corpo humano, chamadas peças cadavéricas, ou a peças sintéticas que simulam partes do corpo humano.

Tecnologias e recursos educacionais

Algumas instituições também fazem uso de sistemas virtuais e tecnologias educacionais, como mesas multimídia interativas, para complementar o ensino de anatomia. No entanto, esses recursos não substituem a dissecação tradicional e o aprendizado proporcionado por ela.

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A técnica “fresh frozen”

Outra opção, ainda distante para as universidades brasileiras, é a técnica chamada “fresh frozen”, que envolve o congelamento de corpos logo após a morte para serem dissecados depois. Essa técnica permite preservar melhor as características do corpo humano, mas enfrenta dificuldades de implementação no Brasil devido aos custos e falta de recursos.

Conclusão

A escassez de cadáveres para estudo e pesquisa em cursos de medicina no Brasil é um problema que afeta diretamente a qualidade da formação médica no país. É fundamental buscar soluções, como a conscientização da população sobre a importância das doações voluntárias e a adoção de alternativas tecnológicas e educacionais, para garantir um aprendizado completo e eficiente para os futuros médicos brasileiros.

Fonte: G1