Enamed: os resultados de janeiro ainda ditam o futuro das instituições de medicina
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comunicacao 20 de abril de 2026

Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados em janeiro de 2026, seguem repercutindo no presente das faculdades de medicina do Brasil. O que podemos aprender com isso?

O Senado avança com auditorias sobre cursos da área e uma ação no Supremo Tribunal Federal ainda está em aberto. Para as instituições que receberam as notas mais baixas, o tempo de resposta está correndo.

Expansão sem planejamento

Muitas das instituições municipais avaliadas pelo Enamed surgiram para atender demandas regionais legítimas. O problema começa quando a lógica da expansão passa à frente da qualidade. Parte dessas universidades passou a ofertar cursos em outros municípios, além de sua cidade de origem, sem supervisão do Ministério da Educação. Isso porque as instituições municipais respondem aos conselhos estaduais de educação e não integram o sistema federal de ensino da mesma forma que universidades privadas ou federais.

Foi essa lacuna regulatória que o Enamed tornou visível. A grande maioria dos cursos vinculados a essas instituições recebeu conceitos 1 ou 2, os mais baixos da escala do MEC.

A questão chegou ao STF

O debate saiu das avaliações e chegou ao Judiciário. A Associação dos Mantenedores Independentes Educadores do Ensino Superior (Amies) protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal questionando a atuação de prefeituras que criaram cursos de saúde com cobrança de mensalidades fora dos limites do próprio município.

O argumento central é direto: algumas instituições usam recursos públicos e benefícios legais, mas funcionam como privadas ao cobrar mensalidades e disputar o mercado estudantil. 

A ação resultou em decisão cautelar proibindo o ingresso de novos alunos nessas instituições e vedando a criação de novos cursos fora do município de origem. O STF, portanto, reconheceu que o problema é real e que ele exige resposta.

O que está em jogo

O Enamed criou um espelho. Muitas instituições não estavam preparadas para o que viram nele. Com o Senado aprofundando auditorias no setor, esse reflexo não vai embora, ele se torna cada vez mais latente.

Qualidade não é consequência automática da expansão. Ela é resultado de escolhas de gestão feitas antes de qualquer avaliação chegar. As instituições que entenderam isso já estão à frente. As que ainda não entenderam vão descobrir nos próximos ciclos.

O papel da 2em1

É exatamente nesse cenário que o trabalho da 2em1 Consultoria faz a diferença. Com quase uma década de atuação junto a instituições de ensino superior, especialmente cursos de medicina, a 2em1 acompanha de perto cada movimento regulatório do setor para transformar esse conhecimento em ação prática dentro de cada IES.

O Enamed deixou claro: não basta abrir vagas. É preciso construir qualidade. E esse processo começa antes da avaliação, não depois dela.

 

Por Maurício Pascoal

Fontes: Estadão, Melhores Escolas Médicas, STF