A inteligência artificial está cada vez mais presente na vida das pessoas, em diferentes contextos do cotidiano, e dentro das universidades brasileiras isso não é diferente. Um exemplo recente vem de uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Fortaleza (Unifor), que resultou na criação de um aplicativo voltado à rotina de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais. A solução permite aproximar pais e equipes de enfermagem, reduzindo distâncias emocionais e qualificando o cuidado em um dos ambientes mais sensíveis da saúde.
Por meio da tecnologia, familiares podem acessar informações clínicas, a evolução do bebê, registros de procedimentos e orientações da equipe, mesmo fora do ambiente hospitalar. Ao mesmo tempo, os profissionais de saúde passam a contar com uma ferramenta que organiza dados, padroniza registros e apoia decisões clínicas baseadas em evidências.
O sistema também atua como ferramenta de gestão hospitalar, reunindo dados assistenciais e contribuindo para maior segurança nos processos. Essa integração entre cuidado, informação e tecnologia fortalece o que especialistas chamam de “humanização digital”, quando a inovação não substitui o contato humano, mas o potencializa.
Impactos da IA na medicina
No Brasil, esse avanço já é acompanhado por regulações específicas, como a norma sobre o uso de inteligência artificial na prática médica publicada pelo Conselho Federal de Medicina. A Resolução CFM nº 2.454/2026 é o primeiro marco regulatório federal dedicado exclusivamente ao uso da IA na medicina.
A regulamentação evidencia que a inteligência artificial deixou de ser uma tendência futura para se consolidar como uma realidade concreta, exigindo preparo institucional imediato. A criação de soluções como o aplicativo desenvolvido pela Unifor reforça que o avanço passa pela integração entre ensino, pesquisa aplicada e inovação.
Mais do que produzir conhecimento teórico, as instituições precisam transformá-lo em impacto social, o que exige planejamento, gestão e visão estratégica. Diante desse cenário, preparar-se para essa nova realidade deixa de ser uma escolha e se torna uma necessidade para universidades que desejam se destacar com um ensino mais eficiente, humano e alinhado às demandas da sociedade.
Por Maurício Pascoal
Fonte: Unifor e Medicina/SA