Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados em janeiro de 2026, seguem repercutindo no presente das faculdades de medicina do Brasil. O que podemos aprender com isso?
O Senado avança com auditorias sobre cursos da área e uma ação no Supremo Tribunal Federal ainda está em aberto. Para as instituições que receberam as notas mais baixas, o tempo de resposta está correndo.
Expansão sem planejamento
Muitas das instituições municipais avaliadas pelo Enamed surgiram para atender demandas regionais legítimas. O problema começa quando a lógica da expansão passa à frente da qualidade. Parte dessas universidades passou a ofertar cursos em outros municípios, além de sua cidade de origem, sem supervisão do Ministério da Educação. Isso porque as instituições municipais respondem aos conselhos estaduais de educação e não integram o sistema federal de ensino da mesma forma que universidades privadas ou federais.
Foi essa lacuna regulatória que o Enamed tornou visível. A grande maioria dos cursos vinculados a essas instituições recebeu conceitos 1 ou 2, os mais baixos da escala do MEC.
A questão chegou ao STF
O debate saiu das avaliações e chegou ao Judiciário. A Associação dos Mantenedores Independentes Educadores do Ensino Superior (Amies) protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal questionando a atuação de prefeituras que criaram cursos de saúde com cobrança de mensalidades fora dos limites do próprio município.
O argumento central é direto: algumas instituições usam recursos públicos e benefícios legais, mas funcionam como privadas ao cobrar mensalidades e disputar o mercado estudantil.
A ação resultou em decisão cautelar proibindo o ingresso de novos alunos nessas instituições e vedando a criação de novos cursos fora do município de origem. O STF, portanto, reconheceu que o problema é real e que ele exige resposta.
O que está em jogo
O Enamed criou um espelho. Muitas instituições não estavam preparadas para o que viram nele. Com o Senado aprofundando auditorias no setor, esse reflexo não vai embora, ele se torna cada vez mais latente.
Qualidade não é consequência automática da expansão. Ela é resultado de escolhas de gestão feitas antes de qualquer avaliação chegar. As instituições que entenderam isso já estão à frente. As que ainda não entenderam vão descobrir nos próximos ciclos.
O papel da 2em1
É exatamente nesse cenário que o trabalho da 2em1 Consultoria faz a diferença. Com quase uma década de atuação junto a instituições de ensino superior, especialmente cursos de medicina, a 2em1 acompanha de perto cada movimento regulatório do setor para transformar esse conhecimento em ação prática dentro de cada IES.
O Enamed deixou claro: não basta abrir vagas. É preciso construir qualidade. E esse processo começa antes da avaliação, não depois dela.
Por Maurício Pascoal
Fontes: Estadão, Melhores Escolas Médicas, STF